terça-feira, 29 de março de 2011

a vitória da poesia

Skena em 2009
Este é um post atípico. Apesar das muitas citações e referências, nunca postei aqui textos que não fossem meus. Da mesma maneira, nunca fiz ‘repostagem’ de poemas cá na Versorragia. Vou quebrar a regra HOJE! Por quê? Queria dividir uma vitória! Dois poemas meus foram selecionados para a oitava edição do festival de Poesia Encenada do SESC-PB, e eu não poderia estar mais feliz :) Participei deste festival como co-autor e ator na edição de 2009 com o grupo Skena de Teatro, sob direção de Flávio Ramos [http://tinyurl.com/6y3ow2o]. É uma honra voltar como autor!

Veja a lista de poemas selecionados [http://linaldoguedes.blog.uol.com.br/]:

PRIMEIRA ELIMINATÓRIA - 06 de Abril
1. Fascinado - Fátima Peixoto (Cabedelo)
2. Cantiga de Roda - Niti Merhej (São Paulo)
3. Gêmeos - Linaldo Guedes
4. Nebulosa -Francisca Vânia Rocha
5. Desencantos Pós Modernos - Bruno Gaudêncio (Campina Grande)
6. Percepção - Cleber Lima
7. Deus - Maria Fernanda Tavares
8. A Garrafa e o Corpo - (ou uma poesia Cabraliana) - Raniere Marques
9. A ta-boka fu-a-deu - Kika Peixoto
10. Romance em feitio de oração para a Senhora dos Navegantes - Astier Basílio
11. Bullying - Ângela Mendes
12. Cortejo - Valberto Cardoso
13. Não desmarque - Luana Feitosa
14. Gramaticalmente Pornográfico - Gustavo Limeira
15. Meu porto seguro - Carlos Lucas Gomes (Cabedelo)
16. Inteira - Manassés Diego
17. Carta ao Navegador- Josinalda Lira

SEGUNDA ELIMINATÓRIA - 07 de Abril
1. Suave - Valmir Neves
2. Se Voce fechar os olhos - Maurício Soares (Bayeux)
3. Quimera - Inácia Rita Barros
4. Anjos Caídos - Hannah Medeiros
5. Corpos Líquidos - Nyka Barros
6. Instinto de Espera - Daniel Porpino
7. Borra - Niti Merhej ( São Paulo)
8. Pátria ao Avesso - Valter Oliverio
9. La Negra - Michel Costa
10. Molduras - Leo Barbosa
11. A árvore bicentenária - Gabriela Arruda
12. Tempo - Jerônimo Vieira
13. Formigas de Asas - Hélder Nóbrega
14. Inspiração - Pertnaz
15. Pedaços - Aparecida Melo
16. Bibliófilo - Gustavo Limeira
17. Ao silêncio do meu amor - Petra Ramalho


Eu e Elba Góes em 'Ensaios Fotográficos'
As eliminatórias ocorrerão no dia 6 e 7 de Abril. No dia 8, a grande final. O poema ‘Gramaticalmente Pornográficos’ será encenado no dia 6 pela atriz Ana Valentim e, no dia 7, a mesma Ana se juntará a Matteo Ciacchi para defender ‘Bibliófilo’. Nos dias 6 e 7 a Cia. Do Tijolo, grupo teatral do Estado de SP, apresentará espetáculos sobre Patativa do Assaré e cordel e, no dia 8, o Grupo Teatrália de Performances Poéticas apresentará o espetáculo ‘Ensaios Fotográficos’, sobre a poesia de Manoel de Barros, com direção minha e de Ana Valentim. Espero poder ver umas carinhas conhecidas por lá apreciando a nova literatura e o teatro do nosso estado e aproveito pra parabenizar todos os aprovados.É tanto nome bom que, se fosse pra fazer destaque, eu faria outra postagem. Quem ganha é a poesia!

VII POESIA ENCENADA
Quando? 6, 7 e 8 de Abril
Onde? Área de Lazer / SESC, Centro - João Pessoa/PB
Horário? a partir das 18h, com exibição de filmes, exposições e as performances concorrentes
Investimento? Gratuitíssimo, basta chegar e se deleitar



- gramaticalmente pornográficos –

lamber-te a língua
tocar-te as vogais, doces ferozes
acariciar-te os sujeitos e os objetos
arranhar com minhas unhas tuas vírgulas e
num átimo de metaforismo
lenta e inevitavelmente
arrancar-te um pleonasmo.

beijar-te os apostos ansiosos
e corrigir-te os erros pornográficos
doce e drummondmente
escrever no teu corpo com o Aurélio em riste
os versos que sexonhei pra nós.





- bibliófilo –

li-o
meus dedos em suas páginas o faziam gemer alto
era como se acariciassem sua alma de um jeito vulgar e belo
o cheiro de livro que dele exalava
era como um milagre obsceno
daqueles milagres urgentes que os anjos performam todo verão
transformando os amantes em personagens shakespearianos.
eu o lia, e era como se ele gritasse alegria em meus ouvidos
e o seu grito era tão suave, tão música, tão lindo
que só a nós fazia sentido – e a ninguém outro importava.
meus olhos passeando por cada letra, desvendando cada verso que nele continha
fazia cócegas no seu ser
e ele riu, e riu, e rio, e ria
a gente se afogando em filosofia, em sol, em poesia.
lia-o, e era como se nunca fosse acabar
vou reler, vou relendo, vou lembrando
deslembrando, construindo, sangrando
entendendo, te chamando, me arvorando.


fantasiei-o de livro porque é o único jeito que aprendi
de carregá-lo dentro de mim.



3 comentários:

  1. Podes amar-me, silabária,
    e dar-me um beijo substantivo

    Pablo Neruda

    Lembrou =o)

    super duper anonimo

    ResponderExcluir
  2. que lindo gustavinho, merece mesmo! :**

    ResponderExcluir